
A história da Associação de Artesãos de Apiaí, Custódia Jesus da Cruz, iniciada há cinco anos, mostra um pouco sobre Organização Social no Meio Rural, principalmente para que as pessoas eu não acreditam que uma organização de grupos possa dar certo.
Mesmo enfrentando várias dificuldades, a vontade de vencer sempre foi maior e nunca deixou que seus integrantes desanimassem. Com disposição e apoio da comunidade as dificuldades foram e vem sendo superadas a cada dia.
Vale a pena, conhecer a maneira com que essa comunidade está desenvolvendo sua organização a interagindo com o meio onde ela está inserida. 1. INTRODUÇÃO
Apiaí – SP. Nesse sentido, as ações associativas ocupam a cada dia importantes espaços na nossa região. Através da organização de grupos e parcerias deu-se a conquista de benefícios econômicos e sociais que, de forma isolada jamais seriam atingidos.
Porém, o sair do eu para nós através de uma organização associativa a nossa região vem se transformando a cada dia. Este trabalho vem mostrar um pouco da organização social desenvolvida no Município de
A associação de artesãos de Apiaí, composta basicamente de mulheres que antes viviam exclusivamente da agricultura, hoje tem a oportunidade de aumentar sua renda familiar trabalhando com artesanato de argila, matéria prima extraída na própria localidade, de forma adequada, visando à preservação do meio ambiente.
O barro que antes não tinha muito valor, para essa comunidade, hoje, nas mãos dessas mulheres artistas vira peça rara e se transforma em renda familiar.
Mas não é apenas isso que mostraremos nesse trabalho, mas aprofundamos nossa reflexão para entender melhor o significado dos termos utilizados para justificar o sucesso desse trabalho, como por exemplo: organização social, cooperação, confiança mútua, amor, respeito, cidadania, preservação ambiental, entre outros.
2. ORGANIZAÇÃO SOCIAL NO MEIO RURAL
Aprendemos que o que motiva o ser humano a se organizar é o gosto pelo desafio, a frustração com a situação atual ou ainda uma idéia qualquer que valha a pena o esforço para se consegui-la.
Na história da organização do campo, podemos ver que sempre acompanha uma história de enfrentamento e superação dos desafios. Nas quais se conhece desde os primórdios por: luta pela terra, melhoria da infra-estrutura, saúde, educação, reivindicação de crédito e subsídios para produzir, assistência técnica, entre outros. No Brasil, temos algumas histórias que podemos ver que foram específicas e de acordo com o período em que ocorreram, movimentos dos quilombos, MST, movimentos de colônias no sul do Brasil, que foram constituídas por imigrantes europeus em sua maioria, e que hoje nos servem de modelo.
As associações e cooperativas rurais organizadas para comercializar produtos no Estado de Minas Gerais, são também um exemplo a ser seguidos.
As cooperativas rurais e de agroindústria também, organizadas para colocação de produtos no mercado, tem-se destacados em exemplos de sucesso, que sempre motivam novos desafios.
Sabemos que as cooperativas rurais são destaques nessas experiências brasileiras.
No Brasil, relatos sobre criação de cooperativas agropecuárias datam de 1.907, com experiências de sucesso e de fracassos também, o que muitas vezes dificultam o crescimento dessas iniciativas e para que novas experiências sejam tentadas novamente.
Texto extraído do site: http://www.augustodefranco.org/
Num sentido estrito, os seres humanos nos originamos no amor e somos dependentes dele. Na vida humana, a maior parte do sofrimento vem da negação do amor: os seres humanos somos filhos do amor... Não estou falando como cristão, não me importa o que disse o Papa, não estou imitando o que ele disse, estou falando a partir da biologia. Estou falando a partir da compreensão das condições que tornam possível uma h2istória de interações recorrentes suficientemente íntima para que possa ocorrer a ‘recursividade’ nas coordenações condutuais consensuais que constitui a linguagem” (Maturana, 1988c: 24-6) (n. i.).
Para uma simples conversa é necessário que haja amor, segundo Maturana, imagina então para trabalhar na forma de uma organização social e solidária.
A Associação de Artesãos é como uma família, os problemas de todos são divididos, são todos por todos e cada um com seu Deus, pois no grupo existe diversidade de religião, de cor, de graus de instrução, entre outros.
Podemos até dizer, que a felicidade é um dos benefícios gerados pela cultura da cooperação ao ver como essas mulheres desenvolvem suas atividades e contagiam quem as visita com a alegria pelo trabalho que praticam.
Quando Maturana fala que “o amor é o fundamento do social”, ele está se referindo àquela “pegajosidade biológica” (cuja origem é associal) que funda o social, porquanto se manifesta como abertura e conservação de espaços de convivência que englobam vários indivíduos numa mesma proximidade, a partir do prazer da companhia, da simpatia, do afeto, da preferência, mas, fundamentalmente, pela aceitação do outro. “A emoção que funda o social, como a emoção que constitui o domínio de ações no qual o outro é aceito como um legítimo outro na convivência, é o amor” (Maturana, 1988c: 27). Destarte, “relações humanas que não estejam fundadas no amor... não são relações sociais. Portanto, nem todas as relações humanas são sociais, tampouco o são todas as comunidades humanas, porque nem todas se fundam na operacionalidade da aceitação mútua. Distintas emoções especificam distintos domínios de ações. Conseqüentemente, comunidades humanas fundadas em outras emoções, distintas do amor, estarão constituídas em outros domínios de ações que não serão o da colaboração e do compartilhamento em coordenações de ações que implicam a aceitação do outro como um legítimo outro na convivência, e não serão comunidades sociais”(Idem:27-8).Para Maturana, portanto, “os seres humanos não somos todo o tempo sociais; o somos somente na dinâmica das relações de aceitação mútua. Sem ações de aceitação mútua não somos sociais. Com efeito, na biologia humana, o social é tão fundamental que aparece a cada instante e por todas as partes” (Maturana, 1988d: 77).Como vimos, nem todas as relações de convivência são relações sociais. Relações 2de trabalho, por exemplo, não são relações sociais. “É justamente porque as relações de trabalho não são relações sociais que se requer leis que as regulem. No marco das relações sociais não cabem os sistemas legais, porque as relações humanas se dão na aceitação mútua e,portanto,no respeito mútuo”(Maturana,1988d:78).
Da mesma forma, relações hierárquicas também não são relações sociais, porquanto “se fundam na negação mútua implícita, na exigência de obediência e entrega de poder que trazem consigo. O poder surge com a obediência e a obediência constitui o poder como relações de mútua negação. As relações hierárquicas são relações fundadas na sobrevalorização e na desvalorização que constituem, respectivamente, o poder e a obediência e, portanto, não são relações sociais... O poder não é algo que um ou outro indivíduo tem, é uma relação na qual se concede algo a alguém através da obediência – e a 2obediência se constitui quando alguém faz algo que não quer fazer, cumprindo uma ordem. O que obedece nega a si mesmo, porque, para salvar ou obter algo, faz o que não quer a pedido do outro. O que obedece atua com contrariedade, e na contrariedade nega o outro, porque o rejeita e não o aceita como um legítimo outro n2a convivência. Ao mesmo tempo, o que obedece nega-se a si mesmo ao obedecer, dizendo: ‘não quero fazer isso, porém, se não obedeço, me expulsam ou me castigam, e não quero que me expulsem ou castiguem’. Porém, o que manda também nega o outro e se nega a si mesmo ao não encontrar-se com o outro como um legítimo outro na convivência. Nega-se a si mesmo porque justifica a legitimidade da obediência do outro em sua sobrevalorização, e nega o outro porque justifica a legitimidade da obediência com a [ou a partir da suposição da] inferioridade do outro.
De sorte que as relações de poder e de obediência, as relações hierárquicas, não são relações sociais. Um exército não é um sistema social... [ainda que] entre os membros de um exército possam efetivar-se relações sociais” (Maturana, 1988d: 76-7) (n. i.).
2.1. EXPERIÊNCIA EM APIAI
Assim como os pioneiros de Rochadale, que há mais de cem anos iniciaram uma revolução nas relações humanas e baseadas na confiança mútua, a Associação de Artesãos de Apiaí, com certeza influenciará na maneira como se estabelecerão as relações de trabalho na área rural da comunidade onde ela está e quem sabe influenciará em toda região onde ela esta inserida, causando sempre interesse em saber como foi que conseguiram esses resultados.
Algumas poucas pessoas, em alguns poucos lugares, fazendo algumas poucas coisas, podem mudar o mundo. (Grafite anônimo no Muro de Berlim)
Iniciativas e parcerias formadas para levar conhecimento e formação profissional nas comunidades rurais, como, o Curso Técnico em Agricultura Familiar da Fundação Paula Souza em parceria com a prefeitura Municipal de Apiaí, podem contribuir para um avanço significativo nas iniciativas de organização social no meio rural.
Pois os conhecimentos adquiridos pelos alunos, até então, pertenciam a alguns poucos técnicos do governo, que não dispõe de recursos para atender a toda população na área rural.
As dificuldades encontradas na agricultura é um dos fatores que contribui para o êxodo rural, pois o desanimo e as impossibilidades de acesso a essas informações fazem com que, principalmente, os jovens decidam tentar a sorte em cidades maiores.
No ambiente de associativismo e organização social, essa informações que antes pertenciam a técnicos empregados no poder público, passam a ser compartilhada dentro da comunidade.
Pois muitas vezes, o técnico orienta sobre técnicas para produzir de maneira sustentável, mas para que o agricultor acredite nos benefícios como, por exemplo: a eficiência da adubação verde, será necessário, que experiências de sucesso aconteçam e as informações recebidas durante o curso sejam difundidas entre a comunidade.
Através da organização social e o associativismo, isso será ampliado de forma mais rápida e eficiente.
3. ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE APIAÍ
A experiência a seguir é um trabalho desenvolvido baseada em uma experiência de sucesso, dentre muitas outras que iniciaram na mesma época, utilizando as mesmas metodologia e aplicadas em uma região de igual condições geográficas, históricas e culturais.
A associação dos Artesãos de Apiaí “Custodia de Jesus da Cruz”, formalizou em 11 de maio de 2005, está localizada na rua São Sebastião s/nº - Distrito de Encapoeirado.
O grupo surgiu através da capacitação executada pela Secretária do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo (Projeto Cidadão do Presente) onde se utilizou a metodologia da Teoria da Organização integrada ao curso de cerâmica primitiva.
O curso da cerâmica foi ministrado por artesãos tradicionais do município com duração de 160 horas, integrando a teoria da organização, cooperativismo associativismo cidadania, ética e planejamento, etc.
O grupo formou-se com 19 mulheres capacitadas que com seus próprios recursos conseguiu através de festas e parcerias na comunidade construir sua própria sede.
Para sua formalização e comercialização dos produtos um longo caminho ainda foi percorrido, pois o mercado exigia produtos com qualidade e a entidade foi em busca dessa exigência, onde parcerias foram formadas para que tivesse êxito.
Citamos algumas principais que foi o Mercado Paulista Solidário, Sebrae/SP, através do Programa Comunidade Ativa em Apiaí, Prefeitura Municipal e as artesãs do Bairro Ponte Alta, especificamente a Sra. Jandira, uma artesã que dividiu seus conhecimentos com o grupo.
3.1. PRINCIPAL CONQUISTA
A principal conquista dos artesãos,mas precisamente artesãs, de Apiaí está no resgate da cerâmica primitiva e no associativismo, que possibilitou a restauração da atividade do município, pois as maiorias dos artesãos existentes estavam nos locais onde se criaram novos municípios, como Itaóca e Barra do Chapéu. Se não houvesse essa iniciativa, hoje a atividade de artesanato em barro estaria praticamente extinta, ficando apenas uma família que ainda desenvolve a atividade de forma esporádica.
Há novas atividades associativas sendo iniciadas nesse momento no Distrito, onde fica a sede da Associação de Artesãos de Apiaí – CJC. Essa atividade, não estará sendo formada basicamente por mulheres, mas irá trabalhar com homens e jovens principalmente no ramo da costura industrial.
Tudo isso, se deve ao caso de sucesso iniciado por essas mulheres que tão bravamente, levantaram a bandeira e criaram seu próprio negócio através de uma capacitação e apoio técnico inicialmente pelo Sebrae/SP e dando continuidade o governo municipal dentro do Programa de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável, ( DLIS – 2.002-2.004), onde disponibilizou um técnico de desenvolvimento para apoiar a entidade, desde a sua formação, comercialização e buscou, dentro das possibilidades, animar e fortalecer o processo.
Durante esse projeto, procurou-se criar um ambiente favorável para que esse grupo pudesse desenvolver. Um técnico ficou a disposição da entidade para resolver problemas de gestão, criar oportunidades, desenvolver parcerias, elaborar projetos, ministrar cursos de capacitação em planejamento e organização comunitária. Tudo isso, ajudou na estabilização do processo.
Texto extraído da internet sobre Artesanato e apicultura em Apiaí
http://www.aomestrecomcarinho.com.br/cid/arq/104.htm
O município de Apiaí, vizinho a Barra do Chapéu, é conhecido como capital do artesanato e faz parte do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar). Abriga remanescentes da mata atlântica preservada em toda a sua extensão, além de mais de 250 cavernas. Mesmo com todos esses atrativos, enfrenta dificuldades características da região na geração de renda para seus cerca de 30 mil habitantes.Ivone Maria da Cruz Lima que o diga. Aos 40 anos, lida com dificuldades para o sustento de seus seis filhos, mesmo sendo uma artesã de mão-cheia. Filha da artista mais famosa do município, Custódia de Jesus da Cruz, herdou da mãe, já falecida, além do talento e do forno para a queima das peças,a dificuldade de sobreviver da arte.Com a chegada do PAE, virou instrutora de um grupo de mulheres que resolveu seguir a tradição, mas de forma organizada. Fundaram, no bairro do Encapoeirado, a empresa de artesanato Custódia de Jesus da Cruz, na qual Ivone deposita suas últimas esperanças de melhorar de vida com o que sabe fazer de melhor.Ambas com 18 anos, as irmãs Josiane Aparecida Camargo e Maíra Aparecida Camargo coordenam o grupo de 21 mulheres, que se dividem, na maioria, entre o trabalho na nova empresa e a lavoura de tomate. Josiane diz que quando surgiu a oportunidade de iniciar uma atividade que pudesse gerar renda, ela e sua irmã escolheram a arte da cerâmica, principalmente pela facilidade de obter matéria-prima. "Está ao nosso alcance." Carmelinda da Rosa Santos, 47 anos, é umas das mais empolgadas. Nunca tinha trabalhado com artesanato e está adorando a experiência. "Meu plano é ter uma renda para sair da roça de uma vez."Estão produzindo vasos, panelas, bonequinhas de bucha, sabonetes e vela. Pretendem, ainda, fazer curso de bijuterias de barro, idéia aprovada pelo grupo. Para a venda, participaram de duas feiras e o dinheiro arrecadado está sendo destinado à construção do barracão de trabalho (o atual é emprestado). O forno, para a queima das peças, é o de Ivone. Tudo resolvido democraticamente.Assim t2ambém acontece na empresa Mel das Flores, no bairro Conceição do Herval, onde 18 pessoas se reuniram para produzir mel, atividade considerada por eles como ideal para a região. "Aqui, por ser área de preservação, é lavoura ou apicultura", decreta Adir Alves de Oliveira. Como já era apicultor, foi escolhido, junto com Marli Rodrigues de Lima e João Maria Cândido, o Dico, , para coordenar a equipe. "Achei que era a nossa oportunidade de organização", explica. O barracão, com cronogramas espalhados pelas paredes, indica que esse objetivo já começou a ser alcançado. Agora a meta é multiplicar a produção. Por enquanto estão com 35 colméias ao todo, mas pretendem ao menos 25 por pessoa. "Nós temos condição e conhecimento para isso", diz Adir. Nos planos, guardam a intenção de adquirir maquinários para fabricarem as caixas-ninho.
"É um trabalho lento, mas tem futuro, pois tudo o que as abelhas fazem é aproveitado", avalia Sônia Aparecida de Barros, uma das oito mulheres da empresa. Ela conta que, até começar a trabalhar com apicultura, morria de medo dos insetos. "Hoje, as abelhas são minhas aliadas", comemora. Janete Gonçalves Teles Rosa também depende das produtoras do mel. Entrou para o grupo a fim de largar o trabalho duro na roça. "Estou pensando no futuro."
3.2. DESAFÍOS ENFRENTADOS
Dos projetos acima, por que apenas a Associação de Artesãos de Apíaí – CJC resiste ainda hoje e funciona a todo vapor, inclusive com um novo projeto de associativismo em fase inicial?Qual foi o diferencial que fez com que isso continuasse?
Só há uma maneira de saber, indo mais a fundo, e buscar nas dificuldades encontradas pelo grupo e de que forma essas dificuldades iniciais foram solucionadas.
Muitas perguntas devem ser feitas, para que se chegue a verdadeira razão de como ao enfrentar as dificuldades que toda organização de vanguarda enfrenta, uma entidade consegue sair vitoriosa.
Após a capacitação após a maioria estar produzindo bem as peças, veio a preocupação, para quem? Para onde? E como vender?
A casa do artesão tem como objetivo apoiar os artesãos na divulgação e civilização do artesanato, localizado no centro da cidade recebe o trabalho de toda região do Vale do Ribeira, onde ficam expostos e a disposição de vendas no próprio município e também para turistas que visitam a região.
A casa conta com o apoio da prefeitura municipal que disponibiliza funcionários capacitados na área para trabalhar, podendo assim contar a história do artesanato aos visitantes.
Outro ponto de venda é a própria sede da associação do Encapoeirado onde são produzidas as peças e também tem sua loja local, feiras como o mercado paulista e o Revelando São Paulo, apesar de ser uma vez por ano também é uma grande fonte de divulgação e venda.
Um projeto desenvolvido pela Prefeitura Municipal de Apiaí, chamado “ Barro e Trança” através da Secretária Municipal de Turismo e Cultura, visava , despertar na juventude o interesse pelo tradicional e dar oportunidade de conhecer novas técnicas para acabamento, tingimento e outras abrindo assim mais oportunidade de criação dos artesãos.
Tendo inicio em 17 de Abril de 2007 o projeto proporcionou varias oficinas tanto para os jovens quanto para os artesãos já existentes. Com isso incentiva também os jovens numa perspectiva de preservação da arte do barro na região.
São essas iniciativas que devem ser seguidas incentivando após qualquer curso ou oficina a organização social para que não se perca recursos destinados a capacitação que muitas vezes são apenas cursos que as pessoas fazem, mas nunca tornam isso um meio de gerar renda. Para que haja sustentabilidade dessas ações, esses projetos devem prever como resultado principal a geração de renda para esses jovens, por que, sem isso, não se obtém resultados eficientes e eficaz.
No projeto Cidadão do Presente, essa tendência é fortemente trabalhada com o despertar do empreendedorismo das pessoas, traz conhecimentos essenciais para iniciar o negócios com atividades vivenciais de planejamento, conhecimentos de organização social e comunitária, associativismo e cooperativismo, comportamento para trabalho coletivo, conhecimentos de controles básicos de gestão.
Já o Projeto Mercado Paulista Solidário vem sendo hoje, uma importante iniciativa para integração, comercialização e capacitação para o artesão, pois é o momento onde ele aprende que seus produtos precisam ter qualidade para que sejam consumidos.
Durante esses eventos, são trocadas experiência entre os artesãos e agricultores familiares, sendo essa experiência imprescindível para o fortalecimento das organizações sociais, pois para participar o artesão ou agricultor familiar deve fazer parte de uma organização social e estar ativamente participando dela.
A idéia do Mercado Paulista Solidário é de integrar os locais, as regiões, trocar experiências, mostrar nossa cultura, capacitar pessoas e gerar renda para artesãos e agricultores familiares. ( Jornal Apiaí Tem – Pag.5 -30/março/2007- edição n.033) Marcelina Mendoza.
3.3. BASE DE SUSTENTAÇÃO
Podemos dizer que um dos fatores essenciais que foram verificados no grupo da Associação de Artesãos de Apiaí – CJC, formado na metodologia exemplificada, foi a Unidade e disciplina na qual está fundamentada a entidade, que é a base de sustentação de qualquer empresa associativa ou não. A unidade de uma empresa é tão importante que para mante-la os associados devem admitir esse insólito princípio de organização: É PREFERÍVEL ERRAR COM A ORGANIZAÇÃO A ACERTAR FORA DELA.
Texto extraído da internet (http://www.ceplac.gov.br/radar/Artigos/artigo21.htm)
Na atualidade enfrentamos além da falta de um sentimento mais forte de construção coletiva de longo prazo, uma realidade econômica violentamente opressora, que pouco valoriza o trabalho do campo. A luta pela sobrevivência neste contexto impõe cada vez mais atitudes individualistas, reforçadas pelo imediatismo imposto pelas necessidades da população.
As necessidades imediatas da população no meio rural são elementos que favorecem o surgimento de uma organização social. De modo contraditório essas necessidades imediatas, uma vez atendidas, ou seja, mesmo que o desafio seja superado de forma incompleta, podem levar ao enfraquecimento ou total paralisação de uma organização social. Outros elementos que ajudam enfraquecer uma organização social rural são: a) a conquista de algum resultado, sem uma ação coletiva e solidária das pessoas que constituem aquela organização social; b) a ação política eleitoreira de indivíduos que estão mais interessados em si mesmos; c) a ação corrupta de supostas lideranças, etc..
3.4. PLANOS PARA O FUTURO
Na comunidade do Encapoeirado também vem desenvolvendo diversas atividades paralelas através da associação, hoje o local já não serve mais só para produzir artesanato, mas também se tornou um local de eventos de toda a comunidade onde são promovidas festas culturais, encontros e também ajuda na pastoral da criança cedendo espaço para a realização de peso, alimentação comunitária, encontros de idosos e do Médico do PSF, festas de aniversários, chás de bebes, entre outras atividades sociais dos associados e da com unidade em geral.
Tornou-se um espaço comunitário onde freqüentam pessoas de todas as faixas etárias, embora seja simples e com pouca estrutura de atendimento, pois foram construídas pelas próprias mulheres e seus familiares.
Mas a esperança e os desafios continuam. – “Queremos ampliar o espaço para futuramente acolher outros jovens e crianças que queiram fazer parte da associação e desenvolver algum tipo de artesanato ou outra atividade”, afirma uma das integrantes da associação.
As experiências pesquisadas nos mostram, claramente o quanto é grande o desafio de se estabelecer algum tipo de organização, quer seja na área rural ou urbana, pois quase sempre os 2principais beneficiários não têm a consciência e clareza para onde desejam seguir. È importante ampliar a visão dessas pessoas através do conhecimento adquirido em cursos, palestras, internet e casos de sucesso. Por que quando estes beneficiários possuem clareza de para onde desejam seguir e o que estão dispostos a enfrentar de uma forma solidária e compartilham essas idéias juntamente com parceiros e a comunidade como um todo, que significa participar os governos, empresas, beneficiários e ONGs, entre outros, com certeza, estão no caminho do sucesso.
Contudo isso refletimos, que atender aos objetivos comuns das pessoas, base principal para o desenvolvimento dessas organizações, que geralmente é imediato e ao mesmo tempo visualizar resultados em longo prazo continua sendo um desafio.
Novos projetos e planos devem ser executados, pois ainda falta muita coisa para ser criada, as mãos que fazem arte da melhor qualidade tem que continuar, assim como veio da antiguidade passando de pai para filho as gerações futuras irão receber e transmitir o que aprenderam e o que há de mais belo em artesanato primitivo no Município de Apiaí e toda a Região do Vale do Ribeira.
3.5. CONHECENDO A REALIDADE LOCAL
Nos encontros com a comunidade, depois de feita pesquisa e conhecendo a realidade local, foi apontada várias atividades que poderia ser desenvolvida com as mães que tinham filhos no PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil).
O trabalho com a argila foi escolhido como prioridade pelo fato de ser matéria prima da região e, além disso, proporcionaria um resgate do trabalho primitivo realizado desde a antiguidade na comunidade, a proposta foi acatada pela maioria e logo em seguida deu-se inicio ao desenvolvimento do projeto.
O monitoramento ficou por conta dos artesãos antigos da própria comunidade, que agora tem a responsabilidade de transmitir essas técnicas para novas gerações.
3.6. CONSTRUINDO A SEDE DA ASSOCIAÇÃO
No inicio tudo foi difícil, não havia espaço físico para iniciar e dar seqüência ao projeto planejado, contamos então com o apoio de um senhor ( Aparício Carriel de Lima) que cedeu um espaço que tinha disponível para iniciar o trabalho. O espaço era pequeno, mas valeu a pena, pois foi utilizado durante 6 meses, sem custo para o grupo. Logo em seguida na comunidade, o grupo recebeu como doação um terreno e a partir daí começaram a sonhar com seu próprio espaço.
Com realização de evento como festas e bingos deram o início a construção, com o apoio dos pedreiros da comunidade concluíram a obra. Hoje o local de trabalho do grupo, embora simples, possui quase tudo que precisam como: cozinha, banheiros, a loja e o salão onde são trabalhadas as peças.
Os visitantes que por ali passam, usufrui da hospitalidade das artesãs além de comprar peças, conhecem os artesãos e o passo a passo de como é feito a modelagem, acabamento e a queima das peças de argila e o cliente também pode participar de oficinas, que as próprias artesãs ensinam.
Nesse momento, sentem-se valorizadas pelo reconhecimento e um talento que nem elas imaginavam ter, até então, e o mais importante! Um sonho tornou-se realidade!.
4. CONCLUSÃO
Um grupo organizado socialmente só será vencedor se todos os integrantes tiverem idéias e ações sintonizadas que requerem comportamentos e atitudes relacionados a cooperação e à participação, vontade superar suas limitações, fazer acontecer e praticar valores como: solidariedade, confiança mutua, aceitação do outro, participação direta, multiplicidade, visão comum, aprendizagem coletiva, informalidade e fraternidade são indispensáveis para que um grupo se solidifique e ainda amplie suas ações para dentro de sua comunidade.
A associação dos artesãos de Apiaí, desde o inicio da capacitação e sua formação, conseguiu superar diversos problemas surgidos durante sua existência. A força associativa entre as mulheres demonstrou-se cada vez mais transformadora podendo participar da sociedade de forma mais igualitária e competitiva.
Mulheres que viviam sem perspectivas, hoje através de suas mãos, desenvolvem um trabalho artístico, agradável baseados na solidariedade, respeito mútuo, cooperação e integração com sua comunidade.
Participam ativamente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural do Município, além de representar o Município em seu maior orgulho, que é a arte em cerâmica primitiva, conhecido internacionalmente, pois Apiaí, possui uma peça de cerâmica no Museu de Londres, que foi presenteada ao Príncipe Charles, por ocasião de sua visita ao Brasil.
A importância da preservação da cultura local, hoje só é possível por causa da organização social na área rural do Distrito do Encapoeirado.
“o ato de compartilhar não consiste em deixar que o outro coma ao seu lado. Consiste em transferir o que se tem para o outro. Eu passo para outro algo que tenho, esse é um ato de compartilhar.... Somos animais compartilhadores porque pertencemos à história de compartilhar. Eu não sei em que momento desses três milhões de anos atrás começou o compartilhamento em nossa linhagem, porém somos animais compartilhadores” (Maturana, s/d: 71-72). “O compartilhamento é uma forma de colaboração. Logo, somos animais cooperadores. A cooperação se dá somente e exclusivamente nas relações de mútuo respeito. 2A cooperação não se dá nas relações de dominação e submissão. A obediência não é um ato de cooperação. Nós somos animais enquanto pertencemos à história que nos dá origem, porém somos cooperadores devido a que não temos impedimentos para cooperar; quando, nas relações amistosas, aceitamos o convite para cooperar, sentimo-nos bem” (Idem).
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
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WWW.SEBRAESP.COM.BR
DEBARROTRANCA@APIAI.SP.GOV.BR
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STRABELI, JOSÉ - Gestão de associações no dia-a-dia - nstituto Socioambiental.
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(http://www.ceplac.gov.br/radar/Artigos/artigo21.htm)
Mendoza, Marcelina - Jornal Apiaí Tem –Pag.5 -30/março/2007- ed. n.033
http://www.aomestrecomcarinho.com.br/cid/arq/104.htm
http://www.augustodefranco.org/
Cartilha DLIS -2.000-2002 ( A Revolução do Local)
Jornal Novas Técnicas – Ano 2, N. 22- Abril de 2.006
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-
Navarro, zander- Desenvolvimento rural no Brasil: os limites do passado e os caminhos do futuro- ESTUD. AV. - VOL.15 N..43 SÃO PAULO – SET./DEZ 2001
Teoria da Organização – Capacitação massiva – pae – programa de auto emprego da secretaria do emprego e relações do trabalho.
